segunda-feira, 10 de agosto de 2009

História da Contabilidade

A história da contabilidade é tão antiga quanto a própria história da civilização. Está ligada às primeiras manifestações humanas da necessidade social de proteção à posse e de perpetuação e interpretação dos fatos ocorridos com o objeto material de que o homem sempre dispôs para alcançar os fins propostos.

Deixando a caça, o homem voltou-se à organização da agricultura e do pastoreio. A organização econômica acerca do direito do uso do solo acarretou em separatividade, rompendo a vida comunitária, surgindo divisões e o senso de propriedade. Assim, cada pessoa criava sua riqueza individual.

Ao morrer, o legado deixado por esta pessoa não era dissolvido, mas passado como herança aos filhos ou parentes. A herança recebida dos pais (pater, patris), denominou-se patrimônio. O termo passou a ser utilizado para quaisquer valores, mesmo que estes não tivessem sido herdados.

A origem da Contabilidade está ligada a necessidade de registros do comércio. Há indícios de que as primeiras cidades comerciais eram dos fenícios. A prática do comércio não era exclusiva destes, sendo exercida nas principais cidades da Antiguidade.

A atividade de troca e venda dos comerciantes semíticos requeria o acompanhamento das variações de seus bens quando cada transação era efetuada. As trocas de bens e serviços eram seguidas de simples registros ou relatórios sobre o fato. Mas as cobranças de impostos, na Babilônia já se faziam com escritas, embora rudimentares. Um escriba egípcio contabilizou os negócios efetuados pelo governo de seu país no ano 2000 a.C.

À medida que o homem começava a possuir maior quantidade de valores, preocupava-lhe saber quanto poderiam render e qual a forma mais simples de aumentar as suas posses; tais informações não eram de fácil memorização quando já em maior volume, requerendo registros.

Foi o pensamento do "futuro" que levou o homem aos primeiros registros a fim de que pudesse conhecer as suas reais possibilidades de uso, de consumo, de produção etc.

DUAS GRANDES ESCOLAS

1ª) Escola Européia, em destaque a Italiana

O expoente mais importante dentro da contabilidade européia foi sem dúvida a escola Italiana.

A contabilidade passou por um importante amadurecimento, tornando-se uma disciplina adulta e completa do século XIII ao século XVII na Itália, quando diversas cidades italianas serviram de entrepostos comerciais.
A Escola Italiana foi de grande importância para a difusão de tal ciência pelo mundo.

Também foram italianos os primeiros grandes escritores contábeis, como Pacioli, Fábio Besta, Giuseppe Cerboné, Gino Zappa, entre muitos outros.

Frei Luca Pacioli em sua grande obra de 1494 (Tratactus de Computis et Scripturis – contabilidade por partidas dobradas), já tratava da teoria contábil do débito e do crédito, inventários, livros mercantis, registros de operações, lucros e perdas, levando-se a acreditar que nessa época já se formava o “corpo” da contabilidade que se conhece atualmente. Pode-se dizer, portanto, que foi nesse período que a contabilidade mais evoluiu em sua teoria.

Os séculos seguintes foram caracterizados pelo avanço dessa teoria já consolidada e pela implantação da prática.

No século XIX, período conhecido como científico, a teoria contábil avançou de acordo com as novas necessidades que se apresentaram, mas foi nos EUA que a contabilidade evoluiu para a prática.
Foi justamente este o maior pecado da Escola Italiana: o excesso de teoria. Os autores da época, em sua maioria, preocuparam-se mais em mostrar a contabilidade como uma ciência do que comprovar as idéias que surgiam. Consistia na difusão idealista, sem pesquisas. Muitas das teorias não tinham aplicação e o uso exagerado das partidas dobradas inviabilizava a flexibilidade necessária.

Pouco a pouco acontecia a queda do nível de algumas faculdades em contraposição ao interesse com que as camadas de estudantes acompanhavam os assuntos contábeis.

Todos esses pontos desfavoráveis da escola Italiana acabaram pesando demais até que por volta de 1920 entrou em decadência.

Segundo Iudícibus (1997, p. 33) mesmo na Itália, nas faculdades do norte do país, muitos textos apresentam influência norte-americana e as principais empresas contratam na base de experiência contábil de inspiração norte-americana.

2ª) A Escola Norte-Americana

A Escola Norte-Americana ganhou importância com a decadência da Escola Italiana, se diferenciando desta, basicamente por preocupar-se mais com a prática do que com a teoria, fato que levou autores brasileiros a acreditarem que a teoria norte-americana fosse fraca, o que não é verdade, como mostram as obras The Theory and Measurement of Business Icome, de Edwards & Bell, trabalho de Hendriksen e o trabalho de Mattessich.

É importante salientar o porquê da teoria e prática contábeis terem avançado justamente nos EUA, país geograficamente distante dos centros onde a contabilidade surgiu e se desenvolveu. Como assevera Iudícibus, por volta de 1920 já surgiam nos EUA as grandes corporations, o país enfrentava um desenvolvimento significativo, o mercado de capitais também se desenvolvia e passou a existir também o investimento pesado em pesquisas.

Esses fatores associaram-se formando um verdadeiro campo fértil para o crescimento de uma contabilidade nova, que se relacionava diretamente ao grau de utilidade, de praticidade.

No que se refere às pesquisas, pode-se dizer que não há nada mais positivo para evolução de uma ciência que a pesquisa e os EUA não pecaram nesse sentido. Inédito no mundo, o Instituto dos Contadores Públicos Americanos é um órgão de pesquisa contábil. O FASB (Financial Accouting Standard Board) e o SEC (equivalente a CVM do Brasil) têm contribuído também para pesquisas sobre procedimentos contábeis.

Os diferentes setores da sociedade, como universidades, órgãos de pesquisa, Bolsa de Valores, Governo, trabalham em equipe nas pesquisas sobre princípios contábeis.

Os livros didáticos americanos também são mais práticos, sendo que os autores partem dos relatórios da contabilidade para a partir daí chegar aos detalhes dos lançamentos originários.

Enfim, pode-se dizer que a Escola Americana, ao contrário da Italiana, preocupou-se com o usuário da informação contábil. Os EUA continuando nesse ritmo acelerado de desenvolvimento e dando prosseguimento ao investimento em pesquisas através de seus diversos órgãos, como o American Institute of Certified Public Accountants, o Special Commitees, a The Accounting Research Division, o The Accounting Principles Board, o Financial Accounting Standards Board, a AAA (American Accounting Association) e o SEC (Security Exchange Commssion), pode-se dizer que a ciência contábil seguramente continuará evoluindo, beneficiando não só os EUA, mas o mundo inteiro.

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